AgileCare no SalusCast: Cintia Dilay e Alessandro Neri falam sobre gestão, tecnologia e o futuro da saúde suplementar

Os sócios-fundadores da AgileCare, Cintia Dilay e Alessandro Neri, foram convidados do SalusCast, podcast dedicado ao marketing no segmento B2B da saúde. Em quase duas horas de conversa, eles compartilharam suas trajetórias, os bastidores da criação da AgileCare, a visão sobre os desafios da saúde suplementar e as tendências que devem redesenhar o setor nos próximos anos.

Não é todo dia que dois profissionais com mais de cinco décadas somadas de vivência em saúde sentam para conversar abertamente sobre o setor. Quando isso acontece, o resultado vai muito além de uma entrevista institucional: vira um retrato honesto de como a saúde suplementar funciona por dentro e do que precisa mudar para que ela se sustente.

Neste artigo, reunimos os principais temas do episódio. Mas o convite fica desde já: assista à conversa completa. Vale cada minuto.


Duas trajetórias, um mesmo ponto de partida: a prática

A história da AgileCare começa muito antes de janeiro de 2020, quando a empresa foi fundada. Ela começa nas trajetórias individuais dos dois sócios, construídas dentro do sistema de saúde, e não observando-o de fora.

Cintia Dilay é enfermeira e escolheu a profissão justamente pela combinação que ela permite: cuidado e gestão.

Começou a carreira em ambiente hospitalar e, em 2004, entrou em uma área que quase ninguém enxergava na época: a saúde preventiva dentro de planos de saúde. Foi ali que encontrou seu propósito, como ela mesma contou no episódio: a percepção de que, em uma população, apenas cerca de 10% chegam à internação, e que o cuidado de verdade acontece nos outros 90%, antes de o problema se agravar.

Ao longo de 16 anos em uma operadora verticalizada do Sul do Brasil, Cintia atuou da assistência à gestão: consulta de enfermagem, visita domiciliar, saúde corporativa, programas populacionais e a estruturação de modelos pioneiros, incluindo um dos primeiros planos de saúde voltados ao público sênior do Paraná, lançado em 2015, e programas de mudança de estilo de vida cujos resultados ela acompanha até hoje.

Alessandro Neri veio de outro caminho. Formado em engenharia, iniciou em 1992 na área de tecnologia de um hospital de Curitiba, e nunca mais saiu da saúde. “Essa área é que nem cachaça: você toma o primeiro copinho e não quer mais largar“, brincou no episódio. Da infraestrutura, migrou para dados, gestão e inovação, e acompanhou de dentro toda a construção regulatória da saúde suplementar brasileira, desde antes da criação da ANS. Como ele resume: sua carreira profissional tem a mesma idade da regulamentação do setor.

Foi na convivência entre a gestora que demandava tecnologia e o engenheiro que entregava soluções que nasceu a parceria. Os dois lideraram juntos projetos de inovação dentro da operadora, e um deles mudaria tudo.


Pioneiros em saúde digital antes de a telemedicina existir oficialmente

Em 2015, Cintia coordenava um setor de saúde preventiva com mais de 20 mil vidas e um desafio claro: como escalar um modelo de cuidado que era totalmente presencial? A resposta veio de um projeto de saúde digital desenhado de ponta a ponta, da entrada do beneficiário no pronto-socorro ao acompanhamento pós-alta.

A primeira fase foi lançada em agosto de 2017: um pronto atendimento digital, via chat, em uma época em que a telemedicina ainda não era permitida no Brasil e boa parte dos médicos resistia ao modelo. Mesmo assim, o serviço chegou a 4 mil atendimentos por mês.

Quando a pandemia chegou, em 2020, e o mercado inteiro se perguntava como atender à distância, a estrutura que eles haviam construído já estava madura: o volume saltou para 25 mil atendimentos mensais. Enquanto o setor corria atrás do básico, a equipe já discutia melhorias de funcionalidade com fornecedores.

Esse episódio diz muito sobre o DNA da AgileCare: inovação construída dentro da operação, com objetivo de reduzir custo e sinistralidade, e não tecnologia vendida como produto de prateleira.


Janeiro de 2020: a empresa que nasceu um mês antes da pandemia

A AgileCare foi fundada em janeiro de 2020. Em fevereiro, o mundo parou.

O plano inicial, levar a experiência em saúde digital para outras operadoras, esbarrou em um mercado paralisado, que adiava todas as decisões. “Apresentávamos o projeto, todo mundo achava maravilhoso… mas ficava para depois. E ninguém sabia quando era esse depois“, relembrou Alessandro.

A pandemia foi, nas palavras deles, uma prova de fogo. E trouxe um aprendizado que hoje é um dos pilares da forma de atuar da empresa:

“A saúde é a mesma, mas ela não se faz da mesma maneira e no mesmo tempo em todos os lugares.”

Cada operadora tem sua cultura, sua região, sua maturidade. De nada adianta chegar com a inovação mais avançada se a empresa ainda não está pronta para ela. O papel do parceiro é entender o tempo do cliente e caminhar junto, e não impor um modelo. Hoje, a AgileCare atende operadoras em todo o Brasil, de Rondônia ao Rio Grande do Norte, exatamente com essa leitura de contexto.


BPO em saúde: vestir a camisa da operadora sem tirar o controle dela

Um dos temas mais interessantes do episódio foi o modelo de BPO da AgileCare, a capacidade de assumir áreas inteiras da operação de uma operadora, ou até a operação completa, de forma invisível para o beneficiário final.

Nós conseguimos vestir a camisa de qualquer operadora“, explicou Alessandro. E o modelo é flexível por princípio: há clientes que preferem que a AgileCare estruture a área, entregue funcionando e faça a transição para a equipe interna; e há clientes que preferem manter a área sob gestão da AgileCare de forma contínua. Nos dois casos, a lógica é a mesma: ser um braço, definitivo ou provisório, para que a operadora consiga realizar as mudanças de que precisa.

E um ponto ficou evidente na conversa: terceirizar não significa perder visibilidade. Pelo contrário.

  • A operadora acompanha tudo o que está sendo feito, com total transparência;
  • Os resultados são apresentados mensalmente, com indicadores claros;
  • A gestão mantém autonomia para acompanhar e decidir.

Quem contrata o nosso serviço precisa se sentir seguro de que quem está tocando a operação está fazendo o melhor“, resumiu Cintia. Em um mercado em que capacitar e reter profissionais especializados em saúde suplementar é um dos maiores gargalos, esse modelo resolve uma dor real: acesso a mão de obra qualificada, com processo estruturado e governança.


Sinistralidade: por onde começar quando o problema aparece?

Perguntada sobre o que fazer quando uma operadora chega com problema de sinistralidade, Cintia foi direta: a primeira análise é sempre a rede credenciada.

Ou a população é muito adoecida, ou o prestador está gerando alto custo ou desperdício, ou a negociação não está adequada. Então a primeira coisa que trabalhamos é entender a rede: para onde a população está indo, como estão os contratos, o que os prestadores estão solicitando e gerando de serviço assistencial.”

Mas ela acrescentou uma camada essencial: controlar a rede sem uma Atenção Primária estruturada ou um serviço de saúde preventiva é muito mais difícil. Sem uma porta de entrada coordenando o cuidado, o beneficiário circula perdido entre especialidades, cada uma resolvendo um pedaço do problema, sem que ninguém enxergue o todo.

A analogia usada no episódio ilustra bem: uma rede credenciada extensa, sem coordenação, é como um time cheio de estrelas sem técnico. “Tem um monte de craque, mas precisa de alguém que organize o jogo.” É esse o papel da APS: não restringir o acesso, mas fazer a gestão da saúde do beneficiário, orientando a jornada e evitando desperdício.


A sustentabilidade do setor: ciclos, consolidação e o desafio das autogestões

A conversa também abordou os movimentos estruturais da saúde suplementar. Para Alessandro, o setor vive ciclos: após a regulamentação, houve um movimento natural de concentração de vidas em poucos players, especialmente na medicina de grupo. Agora, observa-se também o movimento contrário, com operações regionais ganhando força justamente por entenderem as características locais que os grandes players nacionais nem sempre capturam.

Um nicho que merece atenção especial, segundo ele, são as autogestões: planos vinculados a empresas ou categorias, com carteiras que envelhecem rapidamente e sem oxigenação de novas vidas. São operações que precisarão se reinventar para se sustentar, e é nesse tipo de transição que uma consultoria com visão sistêmica pode fazer diferença.

O episódio trouxe ainda uma reflexão sobre a responsabilidade compartilhada: o plano de saúde funciona como uma grande poupança coletiva. Quando o uso é descoordenado ou desnecessário, a conta chega para todos, no reajuste, na qualidade, na sustentabilidade do sistema. Operadora, prestador e beneficiário fazem parte do mesmo ecossistema: se ficar ruim para um, fica ruim para todos.


Plano de saúde ou plano de doença? O movimento que o setor não pode ignorar

Um dos momentos mais provocativos do episódio veio de uma constatação de Cintia, que estuda doenças crônicas desde 2001: “As operadoras acabam trabalhando com doença, e não com saúde. Isso a gente discute desde 2004.”

A diferença é que agora o mercado começou a se mover. O crescimento do wellness, a busca por qualidade de vida das novas gerações, os avanços no tratamento da obesidade, os idosos cada vez mais ativos, tudo aponta para uma mudança de paradigma. E quem não acompanhar vai ficar para trás.

Na visão dos sócios, os planos de saúde precisarão se reinventar em várias frentes:

  • Criar programas de saúde, e não apenas programas de doença;
  • Repensar a jornada do beneficiário, que hoje precisa passar pelo médico até para acessar nutricionista, psicólogo ou fisioterapeuta, mesmo quando o objetivo é melhorar a saúde, e não tratar uma doença;
  • Aproximar-se de quem é saudável, o beneficiário que a operadora normalmente não conhece e que cancela o plano por não usar, quando poderia ser fidelizado e reconhecido;
  • Explorar tecnologias como wearables e gamificação, conectando dados de atividade física, sono e hábitos a modelos de incentivo e bonificação.

Cintia lembrou de experiências concretas que comprovam o potencial dessa lógica: beneficiários que pararam de fumar com apoio de programas estruturados e se tornaram leais ao plano “para o resto da vida”, programas de obesidade infantil que transformavam o hábito da família inteira, pessoas que começaram a praticar atividade física em 2012 e nunca mais pararam. “Trabalhar com estilo de vida é, primeiro, responsabilidade do setor de saúde. E, segundo, gera valor real para a operadora.”


Dados: o ativo que muitas operadoras têm e não usam

Outro fio condutor da conversa foi o uso inteligente de dados. Um exemplo prático citado: a entrevista qualificada, realizada na entrada do beneficiário no plano. Quando bem feita, ela revela quem é aquele beneficiário desde o primeiro dia, permitindo coordenar o cuidado antes que o risco se transforme em custo. Na prática, porém, muitas operadoras cumprem a exigência e engavetam a informação, que só é resgatada quando um procedimento de alto custo já está na mesa do auditor.

É nesse contexto que se insere a parceria da AgileCare com a CuidarSi, healthtech especializada em entrevista qualificada e estratificação de risco na entrada do beneficiário: os dados gerados na admissão alimentam a coordenação do cuidado desde o início da jornada, em vez de virarem arquivo morto.

A cultura de dados aparece até na forma como a AgileCare se aproxima de novas operadoras: antes de qualquer conversa, a equipe analisa os dados públicos disponíveis na ANS para entender o cenário e as prováveis dores daquela operação. “É interessante como, olhando as informações abertas, você já visualiza onde está o problema”, contou Alessandro.

Mas os dois fizeram uma ressalva importante: dado sem experiência não vira decisão. A capacidade de interpretar rapidamente um indicador e saber onde agir vem de décadas de vivência dentro do sistema. É a diferença entre ter informação e ter leitura de cenário.


Ética, transparência e propósito: os critérios inegociáveis

Perguntados sobre qual cliente não é ideal para a AgileCare, a resposta foi reveladora: “Quem não trabalha com ética e honestidade. Isso, para nós, é inegociável.” No mais, qualquer operadora que queira melhorar sua operação, reduzir desperdício e evoluir com sustentabilidade encontra na empresa um parceiro disposto a se adaptar à sua realidade.

Ao fazer as contas durante o episódio, Alessandro chegou a um número que resume o impacto do trabalho: somando a atuação direta e indireta, a AgileCare já alcançou mais de 2 milhões de vidas. “Para nós, isso é um grande orgulho.”

E quando o assunto foi o futuro, a resposta veio em forma de propósito. “Eu gostaria que o Alessandro de daqui a cinco anos olhasse para trás e dissesse: valeu a pena, vocês fizeram diferença nesse modelo de saúde”, disse ele. Cíntia completou: “O que eu espero é que a gente olhe um para o outro e fale: olha o trabalho que a gente fez, a gente conseguiu ajudar a transformar o setor de saúde.”

Aos seis anos de história, completados em 2026, a AgileCare entra em um novo ciclo: com equipe estruturada, portfólio consolidado e atuação nacional, a empresa se prepara para crescer, sem deixar de olhar para os movimentos que estão redesenhando o setor, do wellness aos cartões de desconto em processo de regulamentação, da inovação tecnológica às mudanças regulatórias.


Assista ao episódio completo

Este artigo é só um recorte. No episódio completo, Cintia e Alessandro contam histórias que não couberam aqui: os bastidores da decisão de empreender, a virada da carreira militar para a tecnologia, o QR Code visto pela primeira vez em uma feira em 1996, o projeto de rede credenciada de academias que estava à frente do seu tempo, e muito mais.

Quer conversar sobre os desafios da sua operadora? Fale com a equipe da AgileCare →


FAQ – Perguntas Frequentes
Quem são os fundadores da AgileCare?

A AgileCare foi fundada por Cintia Dilay, enfermeira com mais de 20 anos de experiência em gestão de saúde e especialista em saúde preventiva, e Alessandro Neri, engenheiro com mais de 30 anos de atuação em tecnologia aplicada à saúde, pioneiro na implantação do pronto atendimento virtual no Sul do Brasil.

O que é a AgileCare?

A AgileCare é uma consultoria especializada em saúde suplementar que conecta gestão, assistência e tecnologia. Atua com operadoras de planos de saúde, hospitais e clínicas em frentes como APS, PROMOPREV, Central de Atendimento, BPO, gestão de redes, recuperação de receita, IDSS e soluções de TI.

Quando a AgileCare foi fundada?

A AgileCare foi fundada em janeiro de 2020, um mês antes do início da pandemia de COVID-19 no Brasil, e completou seis anos de atuação em 2026.

O que foi discutido no episódio do SalusCast?

No episódio, os fundadores da AgileCare falaram sobre suas trajetórias na saúde, o pioneirismo em saúde digital antes da regulamentação da telemedicina, o modelo de BPO para operadoras, estratégias de redução de sinistralidade, a sustentabilidade da saúde suplementar, o movimento do wellness e o uso estratégico de dados.

A AgileCare atende operadoras em todo o Brasil?

Sim. A AgileCare atua com operadoras de diferentes portes e regiões do país, adaptando suas soluções à cultura, à maturidade e ao contexto de cada operação.

Onde assistir ao episódio completo?

O episódio completo está disponível no YouTube e pode ser assistido pelo player incorporado neste artigo.


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